Como a taxa Selic afeta o mercado imobiliário?

Quando se fala em economia e investimentos, a taxa Selic é tema recorrente. Curiosamente, essa taxa também é muito importante para o mercado imobiliário, chegando a afetá-lo diretamente.

Não sabe o que é taxa Selic, muito menos como ela pode impactar o mercado imobiliário? Sem problemas! Confira, aqui, todas essas informações e entenda a importância dessa taxa!

Como a taxa Selic afeta o mercado imobiliário?

O que é taxa Selic?

Trata-se da taxa básica de juros utilizada pela economia brasileira. Por isso, influencia todas as outras taxas de juros do país, como as que incidem sobre financiamentos, empréstimos e rentabilidade de aplicações financeiras.

 

O que significa Selic?

Selic é a sigla de Sistema Especial de Liquidação e Custódia, que é um programa virtual no qual títulos do Tesouro Nacional são comprados e vendidos por bancos diariamente.

A taxa Selic, por sua vez, está diretamente ligada aos juros desses títulos públicos que o governo federal vende às instituições financeiras nesse sistema.

 

Quem decide a taxa Selic?

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central é o responsável por decidir o valor da taxa Selic. A cada 45 dias, membros do Copom se reúnem para estabelecer se mantêm, diminuem ou aumentam a taxa de juros.

 

Taxa Selic hoje

A taxa Selic hoje é de 2% a.a., mas pode ser alterada até o fim do ano de acordo com o mercado financeiro. A expectativa do Banco Central é que chegue a 4% até o final de 2021. Para 2022, a estimativa é que a taxa Selic fique entre 5% a 5,50%.

Mas, por que esses números mais altos para a taxa? Simples: há uma expectativa de aumento da inflação, o que acaba puxar a projeção do mercado para a Selic.

Porém, é importante lembrar que esses números são projeções e não certezas. Pode ser que esses valores não sejam confirmados. Daí a importância de acompanhar regularmente a taxa Selic, sobretudo ao fazer transações financeiras que envolvem juros.

 

Como a taxa Selic é calculada?

A taxa Selic atual é calculada de acordo com os principais indicadores financeiros do país, todos reconhecidos pelo Banco Central.

As alterações periódicas da taxa têm como foco adequar a Selic à realidade econômica do país, para assegurar que haja boa circulação de dinheiro e se tenha um equilíbrio financeiro.

 

Importância da taxa Selic

Para entender a importância da taxa Selic, é interessante voltar no passado e conhecer o contexto que levou à criação dessa taxa. A Selic foi criada em 1979, ano que em a economia nacional passava por uma hiperinflação.

A hiperinflação é uma situação em que a inflação do país está elevadíssima e totalmente fora do controle. O grande problema disso é que elimina o poder de compra da população, gera uma recessão econômica e uma desvalorização expressiva da moeda nacional.

Durante esse período, a inflação chegou a mais de 80% ao mês, o que significa que um produto quase que dobrou de preço de um mês para o outro.

Nesse cenário, a criação da Selic tinha como objetivo controlar a inflação. É por isso que toda alteração que o Banco Central faz na taxa impacta diretamente a inflação e tem reflexo em todo o mercado financeiro.

E é justamente por isso que a Selic é tão importante para a economia brasileira: sem ela, a chance de passar por uma hiperinflação novamente é maior.

O Banco Central trabalha com metas da Selic, procurando cumpri-las anualmente, para minimizar ao máximo o risco de crescimento da inflação e complicação da economia nacional.

Quando o Banco Central aumenta a taxa Selic, o objetivo é desacelerar a economia, de maneira a impedir que a inflação cresça muito e traga os problemas citados anteriormente.

Já quando o Banco Central baixa a taxa Selic, a finalidade é aquecer a economia e estimular o consumo. Isso também leva ao aumento da inflação.

 

Como a Selic afeta o mercado imobiliário?

Mas, afinal, como a taxa Selic influencia o mercado imobiliário brasileiro? Ela altera diversos pontos. A seguir, listamos e explicamos quais são eles:

 

Preço dos imóveis

Se sua intenção é comprar sobrado para realizar o sonho da casa própria, é importante ficar de olho na taxa Selic! O preço final dos imóveis varia de acordo com a taxa se for realizar um financiamento, afinal, há incidência de juros.

Caso a Selic esteja alta, os juros são maiores. Se for baixa, o financiamento é mais vantajoso, porque os bancos oferecem taxas menores, resultando em parcelas com valor reduzido e de menor impacto no orçamento doméstico.

É por isso que houve um aumento de vendas e procura por financiamentos em 2020, em plena pandemia de Covid-19. A Selic estava em 2%, ou seja, muito baixa, o que tornou o momento um período ideal para fazer financiamentos.

 

Valor do aluguel

Há quem pense que a taxa Selic influencia somente o valor de compra de imóveis, mas não é apenas isso. A Selic também modifica o preço do aluguel, baixando ou aumentando o valor pago mensalmente.

Mas, é importante esclarecer que essa variação é válida somente para imóveis disponíveis no mercado. A partir da data de celebração do contrato, a atualização é anual e considera outros índices financeiros.

 

Outros investimentos afetados pela Selic

Além do aluguel e compra de imóveis, a taxa Selic também afeta outros investimentos muito conhecidos e adotados pelos brasileiros, impactando diretamente na rentabilidade.

Entre eles, destaque para a poupança, os títulos do Tesouro Direito e demais investimentos de renda fixa, como o CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e fundos de investimento.

A taxa Selic influencia a rentabilidade da seguinte forma: se estiver baixa, os rendimentos são menores. Caso esteja alta, o retorno financeiro é maior.

É por isso que se recomenda variar sua carteira de investimentos, para não ficar tão suscetível à variação da Selic. Uma das possibilidades é comprar imóveis, como sobrados à venda, porque são aquisições que se valorizam ao longo dos anos.

Isso significa que o preço de venda do imóvel aumenta, mesmo com notícias sobre o mercado imobiliário não tão boas, como em momentos de crise ou períodos de variações da Selic.